Quem é nosso inimigo?

Para entender, considere esses três casos:

1. Uma empresa me obriga a comprar um produto dela;
2. Um padre me obriga a ir à uma missa;
3. Um banco me obriga a tirar um empréstimo;
4. A prefeitura me obriga a sair da minha casa.

Nos três primeiros casos, a “obrigação” é meramente figurativa. De fato, não estou sendo obrigado, mas apenas compelido por INCENTIVOS a fazer aquilo. A empresa me “obriga” a comprar um pacote duplo de sabonetes porque, assim, eles custam 20% menos. Ou o padre me “obriga” a ir à missa, porque assim eu vou poder participar da festa da paróquia. Ou ainda o banco que me “obrigou” a tirar um empréstimo porque as taxas estavam atrativas e, se usasse o dinheiro da poupança ficaria descapitalizado.

Já no quarto caso, eu não tenho escolha. A obrigação de abandonar minha casa é imperativa. Ou saio ou serei expulso, e se resistir, serei imobilizado, e se ainda resistir, serei morto.

Historicamente, é claro que empresas, bancos, líderes religiosos entre outras classes de pessoas, tiveram poder suficiente para nos escravizar e matar. Alguns pelo mero uso tirânico da força, outros porque detinham a mesma autoridade que hoje é dada à CLASSE POLÍTICA.

Não aceitamos de nenhuma outra pessoa arbitrariedades violentas. Um padre que executasse um “pecador”, seria perseguido e morto, por pessoas indignadas. Um juiz que condena alguém à morte, contudo, é respeitado e tratado com reverência quase idolátrica.

Se eu prendesse alguém por vender uma planta, seria condenado por toda sociedade. Mas quando um delegado prende um simples vendedor de cânhamo (maconha), ele é tratado com louvor e admiração.

Nenhuma outra instituição, nenhuma outra pessoa, detêm o poder que é dado pela autoridade política. É o estado nosso maior inimigo e sua superação é parte essencial da libertação humana.