Não é só o estado que te “rouba”! Vamos falar de algo muito importante, a segunda forma mais comum com a qual o brasileiro perde dinheiro. Primeiro o estado, é claro, segundo, CRÉDITO!

Veja, crédito não é algo ruim, porque é voluntário, o problema é que o crédito brasileiro é um dos MAIS CAROS DO MUNDO [vide quadro abaixo]. Claro que muito disso tem o dedo do estado no meio, mas outra boa parte é derivada dos nossos péssimos hábitos (ou consciência) de consumo.

Algumas médias de juros
Cheque especial: ~ 300% a.a.
Cartão de crédito: ~ 450% a.a.
Empréstimo pessoal: ~ 70% a.a.
Financiamento imóvel (CAIXA): ~ 11% a.a.
Financiamento estudantil privado: ~ 26% a.a.
Financiamento de veículo: ~27% a.a.
→ Esses valores mudam o tempo todo, são apenas uma referência!

Seguindo a tendência natural, quanto mais as pessoas recorrem ao crédito, menos fazem poupança. Quanto menos poupança você tem, menos reservas, mais necessidade de recorrer ao crédito! E o ciclo se repete…

Posso afirmar, sem exageros, que o brasileiro é literalmente VICIADO EM CRÉDITO. E as pessoas parecem não ter a MENOR NOÇÃO do que estão fazendo quando usam o cartão de crédito. Elas parecem ter a sensação de estar EXPANDINDO SUA RENDA, mas o que o crédito faz é justamente o contrário! Você reduz sua renda em favor da antecipação da mesma.

A lógica é simples. Imagine que você quer comprar um carro que custa $10.000, se financiar em 48 meses (4 ANOS!), com a “taxinha” de 3% a.m, no fim terá pago quase $19.000, com uma parcela de quase $400. Sabe quanto tempo levaria para conseguir comprar esse mesmo carro se você simplesmente guardasse os mesmos 400 reais todo mês na poupança (que tem a menor rentabilidade do mercado)? 2 anos! SIM, METADE DO TEMPO! E ainda sairia com troco!

E como funciona no cartão de crédito? Bem, basta dizer que o juros anual atingiu a humilde marca de 435% ao ano! Aí você vai me perguntar, se é tão alto assim, por que não vejo ninguém pagando esses juros?

É simples, uma compra no cartão pode ser financiada de 3 formas, basicamente:

  1. Juros do cartão (esses 435%). Nessa modalidade, o vendedor recebe o valor integral da venda imediatamente após a compra. E o cliente pagará os juros mensalmente como num financiamento normal.
  2. “Rotativo”, é quando o vendedor não recebe o valor antecipado, mas tem a garantia do recebimento dada pela operadora do cartão, que funciona como uma seguradora, nesse caso (cartões de crédito nada mais são que seguradoras de crédito).
  3. Juros do vendedor. Nessa modalidade o juros é negociado entre o próprio vendedor e a operadora do cartão ou outro banco que aceite comprar essas dívidas, e o valor da compra é antecipado para o vendedor com juros bem menor do que seria pelo juros do cartão. Sendo que, nesse caso, o cliente NÃO É INFORMADO SOBRE ESSAS TAXAS.

Assim, praticamente todo vendedor só usa essas duas últimas modalidades. Ou ele absorve os custos do “empréstimo” do dinheiro para o cliente, tendo apenas a garantia do recebimento pela operadora mês a mês, ou ele paga esses juros para o cliente sem que ele saiba.

Sendo assim, NÃO EXISTE CRÉDITO GRÁTIS. Toda venda necessariamente será mais cara se for financiada!

O mercado está tão viciado em crédito, que os preços dos produtos já são cotados assim. Inclusive é CRIME praticar preços diferentes!!! O vendedor é obrigado a praticar o mesmo preço à vista ou no cartão. O que não faz sentido algum. Essa regulação basicamente força os preços pra cima, já que é mais fácil dar desconto do que aplicar taxas.

O Brasileiro é tão viciado em crédito que até marcas de luxos são obrigadas a financiar suas vendas, ou simplesmente não conseguem vender, como disse Alain dos Santos, diretor-geral da Montblanc Brasil: “O parcelamento é uma estratégia usada exclusivamente no Brasil, porque essa é a regra do jogo aqui. Quem não oferecer parcelamento não vende nada, mesmo que seja um produto de luxo. Essa situação é única no mundo”.

Até hoje eu não encontrei qualquer explicação para essa compulsividade do Brasileiro. Talvez tenha alguma coisa a ver com o período de hiper-inflação… mas eu não estou certo. De qualquer forma, pra concluir, lembre disso: crédito é caro. E a solução é tão simples quanto trivial: POUPE!

Soará clichê, soará repetitivo, mas ninguém está dando ouvidos! A única solução para parar de ser roubado pelas operadoras de crédito é ter poupança, investimentos, reservas em metais preciosos, etc. No futuro iremos tratar de algumas fontes mais baratas de crédito, mas não se deixe iludir, mesmo o crédito mais barato, ainda não é “de graça”!