Sem rodeios, agorismo poderia ser descrito como:

“uma estratégia de superação pacífica do estado através da prática consciente da contra-economia”

O agorismo guarda os mesmos princípios da tradição liberal, ele discorda apenas do “método” com que o estado deve ser superado. Existem duas outras abordagens:

  1. A política-democrática, que seria a abordagem mais “oficial”, e englobaria todo espectro liberal, visando a redução ou superação do estado através da via política tradicional;
  2. Outra, que é mais um fenômeno subjetivo, que poderíamos chamar de “anarquismo de inação“, também é muito comum no meio liberal/libertário mais acadêmico e culto.

O método político-democrático já é bem conhecido e não entraremos nele aqui. É mais importante falar, no momento, disso que chamamos de “anarquismo de inação”, o que seria isso? Bem, trata-se de uma posição anti-política, mas que não resulta, necessariamente, em nenhuma contra-ação. Embora os autores que poderíamos classificar nessa corrente sejam explicitamente anarquistas, eles não fornecem nenhum instrumento prático ou teórico de superação do estado. No melhor dos casos, alguns parecem afirmar, ou acreditar, que o estado será superado com a adesão de um número crítico ou massivo de indivíduos, que (imagino), embora não praticando nenhum ato de resistência pacífica ou agressiva contra o estado, mas abstendo-se sucessivamente de tomar decisões políticas (isso é, votar), levariam ao colapso do sistema democrático e, assim, de alguma forma, ao surgimento de uma sociedade livre.

Essa posição é comum no meio libertário mais acadêmico, institucional e intelectual, embora ela não se manifeste como uma ideologia, nem tenha defensores explícitos. É difícil explicar a origem e a procedência do “anarquismo de inação”. Acredito, contudo, que se trata de uma reação medrosa, ou acomodada com os benefícios da vida acadêmica e institucional.

O agorismo, contudo acredita que não basta apenas “entender” as ideias da liberdade, é preciso exercitá-las! Ou seja, um agorista busca sistematicamente, dentro do possível e praticável, transformar todas suas relações em relações voluntárias, eliminando qualquer traço de intervenção estatal direta ou indireta.

“um agorista busca sistematicamente, dentro do possível e praticável, transformar todas suas relações em relações voluntárias”

Esse exercício é chamado de “contra-economia”, já que na prática das suas relações econômicas (ie. relações de troca), você sabota ou simplesmente deixa de nutrir a máquina estatal. A contra-economia pode ser exercitada de várias formas e em várias escalas. Na verdade, certamente você já pratica a contra-economia sem saber. Aquela aula particular que você paga, ou o cachorro quente que comprou na rua, o Uber que tomou na sua cidade, o hostel em que se hospedou pelo Airbnb, aquela renda que você não declara pra receita, tudo isso, embora pareça trivial, é justamente o objeto da contra-economia.

Essas ações completamente pacíficas, justas e voluntárias, embora não sejam “glamourosas”, nem cerquem-se da pompa política ou intelectual, são exatamente aquilo que qualquer cidadão pode assimilar, intelectual e objetivamente. E mais do que isso, são o meio mais eficiente, se não o único, de superar o estado. Enquanto que teorias econômicas complexas certamente jamais serão do conhecimento, muito menos interesse, da maioria da população, as suas ações “egoístas” sempre lhe serão intrínsecas.

O agorismo é, portando, o exercício consciente e sistemático dos seus próprios interesses pacíficos e livres em favor da superação do estado.