Se você já entendeu a história da sua escravidão, deve estar se perguntando agora como, afinal, lutar contra o estado e exercer sua liberdade. Na verdade, isso é muito mais simples (e menos assustador!) do que você pode imaginar. Nesse texto você entenderá um pouco mais da estratégia teórica da contra-economia.

Atenção: não discutiremos teoria libertária aqui. Se você ainda não tem intimidade com essa corrente de pensamento (que pressupõe tudo que diremos a seguir), veja o vídeo linkado no começo do texto.

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Existem 5 “tipos” de mercados, 2 em que não é ético operar e 3 outros em que é ético operar. Os mercados éticos são: NEGRO, CINZA e BRANCO. O mercado branco é o mercado “formal”, amplamente regulado pelo estado, logo aquele em que somos mais explorados. O mercado cinza é aquele em que as regulações do estado operam de forma deficiente, tornando-o um pouco mais livre. Já o mercado negro é aquele 100% livre e voluntário, uma espécie de “mercado ideal”, que praticamente não existe na nossa realidade, exceto por bens primários.

Os mercados não éticos (que não nos interessam nesse artigo) são aqueles monopolizados pelo próprio estado ou pelas formas meta-estatais: milícias, “traficantes” e outros corpos que mimetizam o comportamento monopolístico, repressivo e agressivo do estado.

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Diferente do que se imagina, o mercado negro não é necessariamente o mercado mais perigoso. As pessoas costumam associar a “ilegalidade” de uma ação com o nível de repressão que ela receberá. Mas isso não é uma lei da física. A repressão é difusa e não obedece nenhuma regra particular, depende das condições políticas, econômicas, etc. Dessa forma, a imagem acima representa de forma mais apropriada a relação entre repressão e ilegalidade nos 3 mercados.

  1. Observe o primeiro marcador, o ponto verde, comprar hortaliças direto de um agricultor, embora isso seja uma experiência de troca totalmente livre e voluntária, é completamente ilegal, afinal, o agricultor não pagou impostos para venda, não cumpriu com as exigências sanitárias, não têm os alvarás de funcionamento, etc. Contudo, essa relação dificilmente seria reprimida pelo estado na prática, nas condições atuais.
  2. No segundo, você tem o trabalho informal e autônomo de vendedor ambulante. Uma prática também completamente ilegal, mas que costuma ser pouco reprimida pelo estado, ainda que os comerciantes possam ter suas mercadorias eventualmente recolhidas (roubadas), ainda é um risco relativamente pequeno que muitos escolhem tomar.
  3. O último marcador é o comércio de drogas (produtos com efeito psicoativo) classificado como ilegal, como a maconha. Essa é uma atividade completamente ilegal e também ostensivamente reprimida.

Contudo, pensar uma estratégia pessoal de contra-economia apenas por esse ângulo não é suficiente. É interessante que você considere também a própria expropriação do fruto do seu trabalho, e a limitação de suas experiências existenciais, assim como a ameaça de violência e exposição à violência em situações “formais” e “legais”. Tudo isso deve entrar na equação que consideraremos logo mais como “fator de escravidão”.

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Vivendo num país muçulmano, por exemplo, suas experiências sexuais e religiosas seriam extremamente reprimidas. Já no nosso próprio país, a experiência de ter um trabalho formal é razoavelmente tolerável. Por fim, registrar um filho nascido, embora completamente obrigatório é um processo relativamente muito pouco custoso e cuja desobediência não agregaria nenhum benefício em particular.

Assim, ao planejar sua estratégia pessoal de contra-economia, pondere os “custos” e benefícios de cada operação. E essa é uma dimensão completamente subjetiva que só você mesmo pode decidir. Talvez seja o caso do fator religioso ser particularmente crítico para você, ou a sua liberdade sexual, etc. Se Considere quais opções oferecem menores ricos e tome aquele (risco) que você está disposto a correr. Por exemplo, se você pretende aumentar sua segurança pessoal, ter uma “arma inteligente” pode ser uma alternativa menos problemática (porém menos afetiva!) do que adquirir uma arma no mercado negro ou mesmo passar por toda burocracia para adquirir uma arma de fogo legalmente.

É bom notar que, como dissemos anteriormente, os critérios do estado para reprimir ou não uma ação ilegal não são objetivos, não existe uma fórmula que possa explicar como funciona, ao que se limita, etc. Mesmo que escrevêssemos livros sobre isso, tudo mudaria anos ou até dias depois. A solução é manter-se constantemente informado sobre as operações do estado numa determinada área. É comum que existam grupos de interesse no facebook. Por exemplo, existem alguns grupos bem sólidos sobre importação, os usuários compartilham promoções, discutem sobre produtos e lojas de confianças/qualidade, e também discutem sobre leis, mudanças na legislação, mudanças no comportamento do fisco, etc. coisas que nem mesmo chegam a aparecer nos noticiários, já é compartilhada lá quase em tempo real.

Nossa recomendação é que você dê simplesmente um passo de cada vez, não há pressa! Comece, por exemplo, comprando mercadorias de agricultores locais, experimente comprar produtos usados; compre seus primeiros bitcoins (apenas para entender como funciona); e por aí vai. Cada experiência dessas destravará percepções que você não tinha antes e te dará experiência e segurança para dar passos mais largos em favor da sua liberdade. E não vai demorar muito para você se perguntar como conseguia viver de outra forma.


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