Nessa série, vamos explorar as técnicas “secretas” que o estado usa para concentrar renda nas mãos dos ricos e poderosos enquanto nos mantém na pobreza. Os textos serão curtos, mas ricos em hyperlinks para que você possa se aprofundar no assunto. Aproveite!

I. Moedas sociais são proibidas

Você já se perguntou porque simplesmente não existem outras moedas em circulação no país? Por que não existe dólar, euro, ou qualquer outra moeda? Bem, basicamente por que é proibido. Por quê? Bem, não existe uma “explicação” oficial, mas a resposta sincera é bem simples: nada dá mais controle para um governo que o monopólio sobre a moeda.

Moedas são instrumentos financeiros fantásticos, verdadeiras tecnologias sociais, elas permitem criar reservas de valor, diversificar as oportunidades de troca, entre inúmeros outros benefícios. Moedas são tão importantes que as pessoas acabam descobrindo intuitivamente que podem criar suas próprias, e, embora existam formas melhores e piores de fazer isso, no geral, essa é uma experiência social revolucionária!

Essas moedas, criadas por pessoas comuns, são geralmente chamadas de moedas sociais, já que geralmente visam incrementar a economia local, promover o comércio, expandir o crédito solidário, etc. Moedas sociais também foram, e continuam sendo, muito usadas em momentos de crise econômica, como na Argentina. Mas, assim como o governo não quer que outras moedas circulem na economia nacional, muito menos quer que as pessoas criem suas própria moedas!

Você certamente já ouviu alguma coisa sobre moedas sociais, e por isso deve estar achando essa afirmação acima estranha ou exagerada. Explico. Em primeiro lugar, a proibição às moedas sociais não está clara na lei, fazendo com que esse mercado opere numa “zona cinza”, deixando com que regulações e proibições dependam do humor dos burocratas envolvidos na fiscalização. Em segundo lugar, o estado encontrou uma forma de fazê-las inócuas (isso é, anular seu potencial “revolucionário”) enquanto faz todo mundo achar que algo interessante está acontecendo ali: obrigando as moedas a serem lastreadas em reais.

A moeda Palmas, por exemplo, uma das maiores “moedas sociais”, é lastreada em real, isso quer dizer que cada nota de 1 Palma equivale à 1 Real. O banco que emite essa moeda também é obrigado a ter uma reserva de reais (o lastro) no valor correspondente ao que mantém em circulação. Com isso a moeda perde todo seu potencial, já que ela não pode resistir aos problemas inflacionários do real, que, por sua vez, NÃO TEM LASTRO ALGUM!

Como se não fosse suficiente, muitas outras restrições podem ser impostas, fazendo das moedas sociais, quando ainda “permitidas”, não muito mais que um suvenir, um briquedo de crianças.

“Está totalmente proibida a troca ou negociação desta moeda social por dinheiro. Ela só poderá ser utilizada como meio de bonificação, na aquisição de mercadorias, por serviços, com comércio ou pessoas conveniadas ao Banco Solidário de Gostoso”

Esse aviso está estampado nas cédula de “Gostoso” uma outra conhecida moeda social, pelo seu nome bem humorado. Mas a graça na gostoso termina aí, já que, como está claro, operar essa moeda é praticamente impossível e sua finalidade é, afinal, desconhecida. Não por acaso muitas dessas moedas acabam morrendo, simplesmente desaparecendo, pouco tempo depois de reguladas.

Com esse arranjo, o governo tem o principal elemento de pauperização do povo: o monopólio sobre a moeda. Numa economia complexa como a nossa, ter liberdade monetária é essencial para facilitar a circulação de mercadorias e a distribuição de renda! As inúmeras restrições impostas pelo estado não visam ajudar os pobres, muito pelo contrário, visa tão somente perpetuar a pobreza, como um instrumento de dominação.

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