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09/03/2017 – Anti-Media

Desde quando governos começaram a banir e regulamentar diferentes áreas da economia, o mercado negro permite que as pessoas ainda tenham acesso aos produtos que elas precisam. Governos desestabilizados sempre viram-se contra seus próprios cidadãos usando controle de preços, impostos altos, e até mesmo a ameaça de prisão para sustentar seus sistemas falidos. Quando as condições inevitavelmente se deterioram, como foram na Venezuela e Grécia, a economia underground torna-se indispensável para aqueles que vivem a crise.

A “economia obscura” refere-se a mais do que apenas uma troca de produtos ilegais. Um mercado cinza, por exemplo, fornece produtos legais que acabaram ficando difíceis de achar. Desde coisas básicas, como papel higiênico, medicamentos, e até comida desapareceram das prateleiras das lojas na Venezuela, a rede peer-to-peer tem se tornado o único meio confiável para suprir as necessidades básicas da vida. Em situações desesperadas como esta, a existência de comerciantes independentes podem significar uma boa diferença entre a vida e a morte.

Até mesmo o valor da moeda venezuelana começou a sair do controle do governo. Em um ponto, a cotação oficial foi fraudulentamente estabelecida em 10 bolivares por Dólar, enquanto no mercado negro estava sendo comerciado a 1000 por dólar. Esta ação atingiu milhões suprimindo salários sobre o país e acabando com qualquer confiança que restava. A Inflação se tornou rapidamente a maior ameaça iminente para o povo venezuelano, roubando o valor de seus trabalhos e poupanças. Por anos, o Bolívar esteve em hiperinflação, aumentando o custo de vida quase exponencialmente.

A resposta desesperada do estado foi instituir um controle de preços, o que só levou a uma escassez completa. Com sorte, os mercados irregulados foram capazes de determinar o verdadeiro valor dos produtos e fornecer o apoio vital para as comunidades em dificuldade. Muitas pessoas acham que um aumento de preços espontâneo é anti-ético, mas não é melhor comprar algo que você precisa pelo dobro do preço do que não ser possível compra-lo de forma alguma?

A Grécia está a passar por uma transformação dela mesma — mas em resposta a um conjunto muito diferente de circunstancias. O povo grego tem tolerado uma série de aumento de impostos e cortes de pensões trabalhistas ao longo dos últimos anos para financiar as dívidas à União Europeia. Estas medidas severas criaram uma situação drástica para aqueles que tentam garantir sua independência financeira. O resultado foi uma evasão fiscal, o qual ajudou a crescer a economia underground grega para cerca de 25% do PIB do país.

Surpreendentemente, não é só o pobre que utiliza a “economia obscura” na Grécia, mas também a classe profissional. Os que ganham grandes quantidades de dinheiro estão sujeito a impostos extremamente altos, assim, levando muitos donos de negócios e empresários a procurar melhores oportunidades no exterior ou tomar medidas para ocultar suas rendas.

Perseguindo os membros mais bem sucedidos da sociedade e não permitindo que ele fiquem com o que eles ganham, autoridades estão apenas encorajando o desrespeito da lei. Sem o mercado cinza na Grécia, muito mais trabalhadores profissionais já teriam deixado o país.

A escassez é mais do que apenas uma suposição; é uma dura realidade em que pessoas nascem nas nações em desenvolvimento raramente vêem em primeira mão. Mas sempre que um governo falido toma o controle de seus cidadãos e da economia, o fim sempre resulta em despotismo. A consolidação do poder na mãos de poucos é racionalizada durante tempos caóticos mas, no fim das contas, colocam os direitos de todos os cidadãos em risco.

Só ano passado, a polícia venezuelana realizou ataques que mataram 245 pessoas. Não houveram prestação de contas se os tiros foram justificados, mas relatórios afirmam que muitas das vítimas não representavam nenhum tipo de ameaça e algumas até foram mortas mesmo depois de terem sido detidas. Tais repressões violentas são o resultado inevitável de governos tentando manter o controle em meio ao caos de sistemas econômicos quebrados.

Em 2011, Robert Neuwirth escreveu um relatório para a Foreign Policy que destacava a importância desse mercado global sem impostos, sem licença, e irregulado. Ele o chamou de “Sistema D”.

Eles falam que os comerciantes criadores, empreendedores e de iniciativa própria que estão fazendo negócios por conta própria, sem registrar ou serem regulados pela burocracia e sem pagar impostos, fazem parte da ‘l’economie de la débrouillardise’ ou, para o uso informal, “sistema D”. Isto se traduz essencialmente como a economia da engenhosidade, a economia da improvisação e da auto-suficiência, a economia do “faça-você-mesmo”.

O estado-babá tem feito um excelente trabalho atacando qualquer coisa fora da jurisdição do governo, mas  uma falta de regulação é o que permite para maiores crescimentos e produtividades mais rápidas. Legisladores superestimam notoriamente  suas influências em milhões de pessoas que eles tentam governar, porém, ultimamente, decisões feitas por indivíduos possuem o maior impacto. Pessoas que dependem de suas próprias habilidades e reputação, em vez de um selo burocrático de aprovação, são rotulados de criminosos, mas eles são os que fornecem o valor real para a sociedade em muitos casos.

Os comerciantes destes mercados alternativos são frequentemente associados com perigo e violência, mas na realidade, eles fornecem a mais pura forma de troca voluntária. Aspectos negativos, como crime organizado, são apenas possíveis por causa dos lucros criados devido à proibição. Sem o estado coagir o povo a mãos armadas, não existiriam incentivos para pessoas procurarem serviços dessas organizações criminosas.

Esses mercados livres são, todavia, fortalecidos com a circulação de ativos, como dinheiro, Bitcoin, e metais preciosos. Anonimidade misturado com a tecnologia está empoderando as pessoas de um jeito nunca imaginável. A adoção de cryptomoedas está trazendo a “economia obscura” para a era digital e expandindo seu alcance internacionalmente. Esse novo sistema econômico representa uma ameaça muito real às atuais estruturas políticas e financeiras.

Contudo, inovadores neste ambiente precisam tomar cuidado. Depois da Silk Road ter sido derrubada, implicações legais tornaram-se mais aparente. O mais famoso, co-fundador da Silk Road, Ross Ulbritch, foi sentenciado à prisão perpétua e alvejado especificamente por desafiar o sistema existente.

O crescente progresso em direção à descentralização que ele tentou incentivar está em um curso de colisão direta com os bancos centrais e suas guerras pelo dinheiro. Como a fé do povo no dinheiro fixo continua a diminuir, existirão muitas e muitas oportunidades para mostrar os benefícios que surgem das redes peer-to-peer sobre o planejamento central. Aqueles que reconhecem a extorsão inerente do sistema antigo tem de liderar pelo exemplo e educar os outros, independentemente de quais táticas de intimidação são implantadas contra eles.

 

Traduzido e adaptado da Anti-Media

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