Quem estuda os métodos da guerra política, percebe que a esquerda capturou diversas causas pelo único propósito da revolução. A causa nunca é a causa, a causa é um trampolim para um futuro no qual aquela mesma causa pode nem mesmo existir. Só que, nesse processo, a não-esquerda acabou estigmatizando todas as causas que a esquerda capturava. O que a esquerda também soube aproveitar muito bem, tachando quem não é de esquerda automaticamente como racista, machista, etc. O exemplo mais profundo disso, para mim, é o feminismo. A esquerda conseguiu criar um monobloco ideológico onde não existe alternativa formal ao feminismo. Quem diz que não é feminista é automaticamente anti-feminista, o que quer dizer anti-mulher.
 
Dentre as causas que a não-esquerda estigmatizou está o apelo ao mercado local. Os grupos de tendência liberal econômica, particularmente, enfatizaram os problemas e engôdos dessa proposta, como o apelo ao protecionismo econômico e subsídios econômicos. Novamente, a não-esquerda estava entregando o monopólio ideológico para a esquerda. O estrago foi feito, a esquerda conseguiu estigmatizar o liberalismo econômico como a defesa dos grandes empresários, corporações e especuladores financeiros.
 
Afetados pelo terrorismo político, os liberais desenvolveram cacoetes desconexos. Tornando-se acríticos quanto ao comportamento das empresas, responsabilizando o estado por tudo de ruim que acontece no meio empresarial, dando, muitas vezes, as explicações mais estapafúrdias para algo que estava absolutamente claro. Um exemplo disso é o “trabalho escravo”¹, uma questão profundamente controversa mas que, por causa do trauma, todos os liberais se veem na obrigação de defender.
 
Outro exemplo dessa agenda esquizofrênica é a defesa do Uber. Sempre existiu mercado paralelo, os chamados “piratas do trânsito”, que nunca receberam nem 1% da atenção dada ao Uber. Como o cidadão comum poderia entender a abrupta defesa de uma companhia que não, por acaso, era uma multinacional que “explorava os trabalhadores”? Tudo se encaixava na narrativa. O Uber está rapidamente se institucionalizado e criando laços com o estado. [procurei um artigo muito interessante que li sobre isso, mas não encontrei, assim que achar, irei atualizar o post]. Criando desafios que serão ainda mais complexos do que a velha reserva de mercado.
 
Alguma coisa só vai mudar quando pararmos de estigmatizar as causas e começarmos a observá-las em si mesmas, ao invés de rejeitá-las como parte de um pacote revolucionário.
Na segunda parte desse texto, vamos entrar nos argumentos práticos em defesa do mercado local e como devemos argumentar na guerra política.

Gray Warrior

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